quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dia Z - pt. 2

Ao sair correndo com o carro, pude ver pelo retrovisor que aquela abominação corria atrás de mim, se distanciando mas continuava correndo. Eu sei que se eu parar o carro ele me alcançaria, isso não era uma hipótese que eu gostaria de comprovar.
Ao passar pela ponte, comecei a ver vários carros parados pela rua, todos eles com amassados, sangue seco e alguns com sangue escorrendo, isso significa que esse sangue ainda é recente e não vou parar para comprovar, não vou me arriscar, por sorte meu carro é pequeno e posso andar entre os carros. Está bastante quente mas vou manter os vidros fechados, esses modelos populares não tem ar-condicionado então me viro com a ventoinha mesmo. O cheiro no ar de sangue até que não me enoja mas ver corpos pela pista não é uma visão agradável. Tive a impressão de ver um corpo dilacerado tentando se levantar de alguma forma mas resolvi ignorar para não perder mais tempo aqui.
conforme ia entrando mais no centro, no setor comercial, tinha mais carros parados, alguns desses loucos cambaleantes andavam pela rua sem rumo, parecia que estavam farejando o ar, acredito que os instintos mais primitivos estavam a tona e deveria considerá-los mais perigosos já que não sentem dor e agem como animais.
Para evitar esse trânsito moribundo, preferi ir pela W3, pude ver de longe um carro disparando em fuga e um Gol prata cercado desses troços, eu não estava longe mas fiquei impressionado com a altura dos berros de horror e pânico do motorista. Finalmente um desses monstros quebrou o vidro e começou a mordê-lo, de forma frenética os outros tentava se enfiar no meio para conseguir um pedaço, parecia um ataque de piranhas. O que mais me impressionou foi a força desses zumbis, eles conseguiram arrancar um braço quase inteiro do cara, isso me fez pensar que, já que não sentem dor, não tem nada que limite suas vontades... Eles podem e vão arrancar pedaços seus.
Aquilo realmente embrulhou meu estômago e segui adiante, eu reparei que um desses zumbis olhavam para o carro que se afastava e virou sua atenção para mim, como um gato que fica olhando uma mariposa voando pela sala, não tirava o olho e certamente já queria dar o bote. Arranquei também e segui adiante. Passei por uma casa de cortinas fechadas mas muitos desses monstros estavam se amontoando e frente a ela, resolvi seguir adiante, não tive coragem de ver o que poderia ser.
Fui tentar usar meu celular mas estava sem sinal, cheguei a pensar que era por causa do roaming mas não, realmente não havia sinal nenhum. Pra minhas sorte tenho um aparelho que funciona perfeitamente mesmo sem sinal. Suas funções ainda funcionam como WiFi, fotos e o GPS que imagino que pode ser muito útil. Minha bateria está acabando e sou um idiota por não ter um carregador de celular para carros... Vou seguir mais um pouco, estou ouvindo passos cambaleantes, não posso parar por muito tempo no mesmo local.

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