quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dia Z

Não imagino que realmente iria acontecer, e justo nessa cidade, nesse país, nesse continente...
Ouvi vários boatos de pessoas que morreram que voltaram a andar, o necrotério de vários hospitais relatando esse fato, o IML em um pandemônio particular e o exército com tanques nas proximidades de cemitérios.
Por algum motivo estranho, a polícia não prestava mais atenção em casos de furtos, roubos e faziam vista grossa com quem andava armado. Estive fora por uns tempos e vi que a cidade beirava a anarquia quando vi um amontoado de gente suja de sangue andando, cambaleando, como bêbados. Rezei para que meu filho estivesse bem na europa estudando.
Cheguei a imaginar que fosse aqueles mob days de Zombie Walk, como eu queria estar certo...
Estava em um carro alugado, se aluguei, me dou ao luxo de pegar um carro econômico porém rápido, paranóia de um mundo capitalista... Era um modelo popular, não cabia muita coisa, na verdade, cabia bem pouca coisa e essa foi minha sorte.
Com o planejamento de levar pouca coisa, estou seguindo apenas com uma mala média, daquelas de lona mesmo, não gosto de malas duras de plástico, esse foi meu erro.
Dirigindo pela cidade, ouvindo o rádio com um som horrível, parece que ligaram um liquidificador do lado da antena, ouvia notícias de que pessoas estavam sendo atacadas e mordidas, sendo surradas de modo brutal e que esses "homicidas loucos" estava comendo as vítimas. Não imaginei que poderia ser sério, não acreditava nisso. O que aconteceu?
Meu ceticismo se esvaiu como um peido que soltei quando atropelei uma pessoa. Ficar pensando nessas coisas enquanto dirige não é uma boa.
-Merda!!!
Exclamei pela cagada que fiz ao atropelar um pedestre inocente.
Lembram do ceticismo? Ele se esvaiu na hora em que fui prestar socorro ao atropelado... Ali no chão, se contorcendo, mas não de dor, mas de uma ira, um ódio por tudo que tinha sangue sendo bombeado e não cheirava a carne velha. Para minha sorte, esse "acidente" quebrou muita "coisa óssea" desse indivíduo que não conseguia fazer muito para me pegar.
Fiquei ali, estático, parado, assustado, tremendo por dentro como uma febre noturna, imaginando o que poderia ter acontecido.
Voltei a mim quando escutei um rosnado vindo em minha direção. Ele tinha feições monstruosas, sua boca pendia para a esquerda e babava uma gosma escura meio avermelhada. Faltava muitos dentes mas isso não impedia de ele vir correndo aos tropeços em minha direção.
Cheguei a achar que os uivos do atropelado tinham chamado atenção desse que vinha. Não pensei duas vezes, entrei no carro e sai em disparada.

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